O fundador e CEO da FilmNation, Glen Basner, afirma que o maior desafio do cinema independente é uma indústria ainda excessivamente focada em pacotes convencionais: associar um ator conhecido, um diretor e um conjunto de termos de financiamento para viabilizar um projeto. O relato é baseado em uma reportagem do The Hollywood Reporter.
Durante um painel do TIFF: The Market, no sábado, Basner disse que essa abordagem produz cada vez mais filmes concebidos para empresas de streaming, e não para o público das salas de cinema. Um ator importante pode ajudar a compor um pacote, afirmou, mas não é necessariamente o ingrediente principal de todo projeto independente.
Basner incentivou compradores e financiadores a considerar o potencial mais amplo de um filme, incluindo exibição nos cinemas, vídeo doméstico, televisão paga, televisão aberta e mercados internacionais. Para detentores de propriedade intelectual, disse ele, isso pode significar desenvolver projetos que funcionem como séries e tenham vida mais longa em diferentes plataformas.
Roeg Sutherland, codiretor de finanças de mídia da CAA e codiretor de seu International Film Group, afirmou que os filmes independentes precisam de conexões mais fortes entre as expectativas norte-americanas, os mercados internacionais e novas estratégias de financiamento. Segundo ele, a montagem do pacote deve começar pelo roteiro ou material de origem e por pelo menos um produtor, antes da escalação do elenco.
A era em que um filme independente podia ser vendido em grande parte antecipadamente em Toronto, Berlim ou Cannes também acabou, em grande medida, disse Sutherland. Agora, os compradores têm sorte quando conseguem vender antecipadamente quatro ou cinco territórios importantes, deixando os agentes de vendas encarregados de reunir o restante do orçamento a partir de uma estrutura de financiamento mais fragmentada.
Sutherland recebeu bem a entrada dos exibidores no setor de distribuição, mas alertou que o modelo funcionou de forma mais clara com filmes de shows protagonizados por Taylor Swift e Beyoncé. Segundo ele, ainda não funcionou tão bem com grandes filmes narrativos.
Ainda assim, Basner demonstrou confiança na bilheteria dos cinemas até o fim de 2026 e ao longo do ano seguinte. Ele citou filmes que estreiam em festivais como o TIFF e disse que os cineastas continuam produzindo trabalhos distintos, aos quais o público vem respondendo.
Para o público global de cinema, a discussão destaca uma tensão empresarial por trás de muitos lançamentos independentes: um projeto pode precisar atender à economia do streaming e, ao mesmo tempo, oferecer um motivo convincente para a compra de um ingresso de cinema.
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