A mais recente tentativa de Jodie Comer de transformar a ousadia teatral em impulso para sua carreira cinematográfica não teve uma boa repercussão. Stuffed, um musical sobre cadáveres exibido na seção Discovery do TIFF, apresenta Comer e Harry Melling em um romance construído em torno da taxidermia, do horror corporal e de canções originais. A The Hollywood Reporter o chama de “uma experiência desanimadora e arrastada”, criticando seu ritmo, suas letras e a dependência de choques repulsivos.
Theo Rhys dirigiu e coescreveu o filme de 1 hora e 57 minutos com Joss Holden-Rea. Comer interpreta Araminta, uma mulher isolada que quer preservar um corpo humano; Melling interpreta Bernie, um trabalhador solitário do processamento de alimentos atraído pela promessa que ela faz de uma espécie estranha de imortalidade.
Essa premissa é ousada o bastante para chamar atenção. O problema, segundo a crítica, é que as canções e a história não fazem o romance macabro parecer emocionalmente convincente. Em vez disso, a principal aposta do filme se torna sua principal fraqueza.
Avaliação do impacto
Para Comer, o filme é uma vitrine incomum que dificilmente se tornará o papel de destaque à altura de sua ambição. Uma crítica ruim não apagará seu trabalho em Killing Eve, Prima Facie ou em filmes recentes, mas enfraquece Stuffed como argumento imediato de que ela é uma grande protagonista do cinema.
O risco maior recai sobre os cineastas de musicais originais. Stuffed chega a um mercado que já vê com cautela novos musicais sem propriedade intelectual conhecida ou um cancioneiro famoso. Se os responsáveis por festivais e distribuidores repetirem essas críticas, os financiadores podem se tornar ainda mais cautelosos, empurrando os criadores para adaptações, franquias e catálogos musicais consagrados.
Isso faria da seção Discovery do TIFF um sinal ambíguo. O festival deu espaço a uma obra original e excêntrica, mas a recepção ao filme pode levar futuros programadores a exigir um equilíbrio mais claro entre provocação e acessibilidade.
O resultado mais amplo continua incerto: esta crítica não estabelece a recepção crítica geral do filme, a resposta do público, os planos de distribuição ou suas perspectivas comerciais.
Cenários
Nossa perspectiva (especulação fundamentada):
Mais provável: Stuffed continuará sendo um título de nicho do circuito de festivais nos próximos meses. Se críticas posteriores repetirem as preocupações com as canções, o ritmo e o tom, os distribuidores provavelmente limitarão seus investimentos ou mirarão públicos especializados, enquanto os próximos projetos de Comer atrairão mais atenção para sua carreira do que este filme.
Cenário positivo: O filme conquistará uma plataforma maior apesar da crítica. Se o público do TIFF reagir bem à sua premissa estranha e um distribuidor enxergar valor em sua originalidade, Stuffed poderá garantir um lançamento relevante e dar a Comer um papel musical mais visível.
Cenário negativo: O filme reforçará a cautela da indústria em relação a musicais originais. Se as críticas negativas se multiplicarem e nenhum impulso de público ou de vendas as compensar, seu caminho comercial poderá se estreitar ainda mais, tornando os produtores mais dependentes de propriedades reconhecíveis e deixando Comer com pouco impulso imediato na carreira em decorrência do projeto.
O que observar a seguir
- Um distribuidor identificado anuncia uma aquisição ou um lançamento durante o festival ou logo depois dele.
- Críticas adicionais contestam ou reforçam as críticas à música, ao ritmo e ao equilíbrio tonal.
- O próximo elenco de Comer, a atenção recebida em premiações ou a cobertura da imprensa especializada começa a se sobrepor a Stuffed na conversa sobre sua carreira.
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