O que mudou
Segundo a reportagem do The New York Times, o presidente Donald Trump deve marcar o 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro no Pentágono, enquanto Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joseph R. Biden Jr. se reúnem em Nova York. A imagem dividida captura uma mudança mais ampla: Trump reformulou o terrorismo em torno do extremismo doméstico, dos cartéis de drogas, das questões de fronteira e do programa nuclear do Irã, enquanto cortes e reorganizações relatados reduziram a experiência e os recursos em contraterrorismo.
Por que isso importa
Isso não diz respeito apenas ao local onde os presidentes estarão em um aniversário. Trata-se de quais ameaças recebem atenção federal, dinheiro e conhecimento especializado.
O sistema criado após o 11 de Setembro foi estruturado em torno de redes terroristas estrangeiras. A reportagem afirma que o terrorismo doméstico é agora a preocupação mais urgente, enquanto Trump definiu seletivamente o novo cenário de ameaças. Isso pode tornar a ação do governo mais responsiva à violência dentro do país, mas também pode fazer com que a proteção dependa de quais ameaças as autoridades escolhem reconhecer.
A incerteza imediata é saber se essa reformulação melhorará a prevenção ou a enfraquecerá. A resposta dependerá menos da cerimônia do que de pessoal, repasses, informes de inteligência e atribuições das agências. Se as equipes voltadas ao terrorismo estrangeiro permanecerem intactas enquanto os recursos contra o extremismo doméstico crescerem, as agências poderão ampliar o conjunto de ameaças que acompanham. Se os cortes continuarem e as categorias se estreitarem, o conhecimento especializado poderá ficar mais escasso justamente quando as agências locais assumirem mais responsabilidades.
Como os efeitos podem se espalhar
As prioridades políticas podem atravessar o sistema de maneiras práticas:
- As agências federais podem direcionar analistas, orçamentos e coleta de inteligência para o extremismo doméstico, os cartéis, o controle de fronteiras e o Irã.
- As agências estaduais e locais podem receber mais apoio para determinadas ameaças domésticas, mas menos continuidade no conhecimento especializado sobre terrorismo estrangeiro.
- Comunidades alvo de violência extremista podem receber mais atenção federal em alguns casos e menos em outros, dependendo de como as autoridades aplicarem o rótulo de terrorismo.
Nos próximos seis a 12 meses, o principal ponto de transmissão será saber se os orçamentos e as reorganizações acompanharão a retórica pública. Acordos existentes de compartilhamento de informações, proteção do Congresso para verbas especializadas e avaliações amplas de ameaças poderiam interromper essa mudança.
Avaliação do impacto
A Casa Branca ganha margem para definir o terrorismo em torno de questões centrais ao seu programa. Isso pode fortalecer seu controle sobre a política de segurança.
Os especialistas em terrorismo estrangeiro estão mais expostos. Os cortes e as reorganizações relatados ameaçam corroer a memória institucional enquanto a antiga missão perde destaque.
As agências estaduais e locais de segurança pública enfrentam um resultado ambíguo. Elas podem obter ajuda federal contra o extremismo doméstico e o crime transnacional, mas perder acesso a um conhecimento mais amplo sobre ameaças estrangeiras se os recursos se fragmentarem.
O risco prático é uma proteção desigual: mais capacidade para as ameaças que recebem prioridade oficial e menos para a violência que fica fora dela.
Cenários
Mais provável
Nossa perspectiva (especulação fundamentada): nos próximos seis a 12 meses, a política federal continuará priorizando o extremismo doméstico, as ameaças relacionadas à fronteira, os cartéis e o programa nuclear do Irã, enquanto as estruturas herdadas de combate ao terrorismo estrangeiro permanecerão com conhecimento especializado limitado. Isso depende de o governo manter sua atual definição das ameaças sem que um grande ataque ligado ao exterior force uma mudança de rumo.
Os orçamentos e documentos das agências mostrariam mudanças no pessoal ou nos repasses, enquanto as equipes de combate ao terrorismo estrangeiro continuariam existindo, mas com menor centralidade.
Cenário positivo
Se o governo ampliar a capacidade contra o extremismo doméstico enquanto proteger as funções especializadas voltadas às ameaças estrangeiras, as agências federais e locais poderão construir um sistema de contraterrorismo mais abrangente. Isso melhoraria a coordenação entre casos domésticos e estrangeiros e reduziria os riscos criados pelo esvaziamento relatado.
A condição é clara: os planos de pessoal, os repasses e as orientações de inteligência precisam abranger as duas áreas de ameaça.
Cenário negativo
Se novos cortes forem anunciados enquanto as categorias oficiais permanecerem seletivas, as agências poderão operar com avaliações de ameaças fragmentadas e cobertura especializada mais limitada. Os departamentos estaduais e locais poderão então perder apoio de inteligência federal, dificultando a conexão entre sinais de alerta em redes domésticas e estrangeiras.
Esse caminho depende de as reorganizações eliminarem conhecimento especializado mais rápido do que novas capacidades domésticas sejam construídas.
O que observar a seguir
- Orçamentos federais ou planos de reorganização que alterem o pessoal, os repasses ou as prioridades analíticas de contraterrorismo.
- Orientações que atribuam responsabilidades concretas de investigação ou inteligência ao extremismo doméstico, aos cartéis, às questões de fronteira ou ao Irã.
- Relatos de agências estaduais e locais sobre aumento do apoio contra ameaças domésticas ou redução do acesso a conhecimento especializado sobre terrorismo estrangeiro.
Comentários
Ainda não há comentários.